quarta-feira, 3 de maio de 2017



A TEOLOGIA INDÍGENA                      
Benivaldo Nunes Lima[1]

A CHEGADA DOS ÍNDIOS NAS AMÉRICAS

Existe uma discussão, sobre a chegada dos índios nas Américas, para os antropólogos americanos, os primeiros assentamentos na América são o povo Clóvis, todavia, esta “teoria” Clóvis é questionada da seguinte forma:
    
Monte Verde é um sítio arqueológico na área sul-central do Chile que, possivelmente, data de 12.500 anos. Monte Verde é anterior à chamada Cultura Clóvis, em Clovis, no Novo México. Esse fato desafiou a geralmente aceita Teoria Clóvis, que afirma que povos não colonizaram a América antes de 11 500 anos atrás. Contudo, estas datas permanecem em disputa na comunidade científica. (Monte Verde (Chile), 2017).


Outra informação importante, que contraria a “Teoria” Clóvis é fornecida pelo livro, Grande História Universal. “Trata- de aglomerados na povoação do Monte Verde ( no Chile Meridional), que remonta a cerca de 13 000 ,encontraram-se , em bom estado de conservação restos de caçadores” ( 2006, p.72). Como foi visto, existe uma disputa entre os antropólogos,  sobre a chegada dos primeiros habitantes nas Américas. Outra Teoria bastante questionada é o caminho que estes primeiros habitantes usaram, para migrarem para as terras americanas.
 A “teoria” que era mais aceita e difundida era de que os índios, os quais pelos estudos do mapeamento genético têm ascendência asiática (os asiáticos do oriente, japoneses, Mongóis, chineses), e os traços físicos e linguísticos corroboram para isto. Segundo a antiga “teoria”,  os índios tinham chegado à América pelo Estreito Bering, em volta de 12 000 AEC , Bering  seria uma ponte terrestre entre o Alaska e o extremo da Rússia ou Sibéria (Ásia). No entanto uma nova pesquisa,  desmontou esta teoria do Estreito de Bering:

Por muito tempo, a ciência considerou que a rota mais provável das populações que saíram da Sibéria e chegaram ao atual Alasca para se espalharem pelo continente americano, há pelo menos 13 mil anos, teria sido uma ponte terrestre que ligava a Ásia à América do Norte, onde hoje fica o Estreito de Bering. Com a última glaciação chegando ao fim, a retração de duas enormes geleiras que cobriam essa área teria formado um corredor - na região oeste do atual Canadá -, que teria permitido a passagem dos povos asiáticos, antes que a elevação do nível do mar deixasse o caminho submerso, formando o Mar de Bering. O novo estudo, no entanto, aponta que o corredor entre as geleiras, formado há 15 mil anos, não poderia ter sido atravessado antes de 12,6 mil anos atrás, já que não era colonizado por plantas e animais, impossibilitando a longa viagem migratória. A conclusão da pesquisa é que esse não foi o caminho dos primeiros povos que chegaram à América, já que existem vestígios que confirmam a presença humana no continente há pelo menos 13 mil anos. (Castro, 2016).


Portanto, ainda não se tem uma definição precisa, de que forma os primeiros habitantes da América chegaram ao continente americano.

A CHEGADA DOS EUROPEUS EM TERRAS INDÍGENAS

Com o mercantilismo (na cidade de Calicute na Índia, Vasco da Gama teve sucesso com o comércio marítimo nesta Cidade) de navegação, empreendido pelos portugueses e espanhóis no século XVI D.C, os portugueses chegaram ao Brasil, conforme José Dantas (1971, pg. 30), da seguinte maneira. “No caminho para oriente, na altura de Cabo Verde, a esquadra chefiada por Pedro Alves Cabral, desvia de sua rota normal, para o ocidente, e vem descobrir, politica e oficialmente as terras do Brasil, a 22 de Abril de 1500[2]”. De acordo com os livros históricos, os primeiros contatos entre os índios[3] e os colonizadores, se deram da seguinte forma:

Os indígenas tupis predominavam no litoral do atual Brasil nos 1500. Foram os primeiros a entrar em contato com os portugueses colonizadores. Eles estavam divididos em vários subgrupos, como tupiniquins, tamoios, temiminós, tupinambás, e muitos outros. Podemos chamá-los de tupis porque possuíam um modo de vida comum e falavam a mesma língua tupi ( Vainfas; Ferreira; Faria; Calainho, 2015, pg. 190).


 Os colonizadores espanhóis e portugueses, que extraiam as riquezas naturais[4] das novas “descobertas”, tinham uma visão preconceituosa sobre os índios. Os índios ( Chadwick; Evans, 2007, pg. 120), pertenciam uma raça bestial e subumana e que havia rejeitado o cristianismo, o que autorizava os espanhóis a submetê-los ao domínio cristão. Muitos índios morreram não por meio do uso da violência dos colonialistas, mas por causa das doenças que eles trouxeram para os índios, como a gripe, varíola, e outras doenças.  


AS MISSÕES CRISTÃS ENTRE OS ÍNDIOS NO BRASIL               


Quando os primeiros missionários jesuítas[5] (padre Manoel de Nóbrega) começaram suas missões entre os índios, eles tinham como missão, não apenas a salvação de suas almas,  almas estas, condenadas à danação do inferno, devido suas práticas pagãs[6]. Segundo, os sociólogos, e os antropólogos e outros das áreas humanas e sociais, esta missionização entre os indígenas no passado e ainda no presente, tem uma conotação etnocêntrica ocidental, sobretudo à europeia. Os jesuítas[7] , queriam exercer sobre os povos indígenas, uma espécie de inculturação, ou seja, cristianizar aqueles que não são cristãos. Todavia, queriam também realizar um processo de aculturação (adotar cultura de outra etnia) europeia, sobre o modus vivendi dos índios, principalmente no que tange à indumentária, relações poligâmicas, as práticas sexuais dos índios, antropofagia[8], e o infanticídio, Luiz Gonzaga, esclarece um pouco sobre isto:

No Brasil, por exemplo, grande parte dos estudos etnológicos foram dedicados aos estudos de aculturação e de contatos culturais. Isto, principalmente, em face de realidade verificada entre nossos índios. É notório que os índios em contato com branco veem sua cultura modificada e resultado muitas vezes, é a completa desorganização sócio-cultural, acarretando, em seguida, até o extermínio das culturas. ( Mello, 1987, pg. 91,92) .



A evangelização[9] entre os índios teria causado, e continua causando um etnocídio, ou seja, a destruição de uma etnia, pois todos os povos, e tribos tem sua cultura, a partir do momento que esta cultura é destruída, pela à imposição de outra cultura étnica (aculturação), este povo ou tribo deixa de existir. Alister McGrath destaca esta atitude do etnocentrismo protestante:

A interação dos missionários com uma cultura é tipicamente apresentada como unilateral: o missionário, por meio de ato de imperialismo intelectual e cultural, impõe sua percepção sobre a cultura nativa. Este estereótipo do missionário ainda perdura no mais  sombrios recessos da antropologia cultural , e alguns desse profissionais continuam retratar o missionário como firmemente etnocêntrico. ( Mc Grath, 2012, p. 195).
        

O trabalho de evangelização nas tribos indígenas, realizada por missões católicas, como a missão Cimi (Conselho indigenista missionário) ligada à igreja católica, e caso das evangélicas, como as Novas Tribos do Brasil, juntamente com a Jocum (Jovens com uma Missão), estas missões cristãs entram na disputa, em busca de salvar as almas “pagãs” dos índios. O impulso evangélico é movido por aquilo que está escrito em São Marcos 16, 9- 20[10].
A FUNAI (Fundação Nacional do Índio), já teria proibido estas missões entre as tribos indígenas, pelo fato delas, estarem destruindo as culturas indígenas, e por causa da violação destas agências missionárias, pois mesmas se acham violando a constituição brasileira da  seguinte maneira:

A questão do Estado laico no Brasil é urgente e merece extrema atenção. Proteger as sociedades indígenas do ataque religioso não se trata de ações de governo, mas de princípio da Constituição Federal, inscrito no artigo 4, inciso III, de garantir a "autodeterminação dos povos". E no artigo 5, inciso VI, a proteção aos "locais de culto", ou seja, os territórios indígenas: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. (Milanez, 2013).                               


Isto significa que é proibido pela carta magna do nosso país, alguém ou um grupo religioso, penetrar nos lugares de culto de outras religiões, a fim de fazer proselitismo entre os membros de outras crenças. E para os cientistas da religião, nenhuma religião é melhor do que a outra, e todas têm suas formas de salvação, como pontua Geffré ( 2004, P, 74 apud AZEVEDO, 2014, p.14). “Todas as religiões são, à sua maneira, religiões de salvação, pelos menos no sentido de que elas buscam curar o ser humano de sua finitude e lhe promete uma imortalidade além da morte”. Portanto, não devemos achar que só a nossa religião é a única verdadeira, e todos devem aceitar ela, por bem ou por mal, para se salvarem do pecado original[11]·. Como disse Durkeim. “Não há, pois, no fundo religiões que sejam falsas”. “Todas são verdadeiras à sua maneira: todas respondem de maneiras diferentes, as condições da vida humana”. (Durkheim, 1989, p. 31).

CONCLUSÃO

Estas missões cristãs, que procuram levar salvação para as almas perdidas dos índios, gastam uma  quantidade enorme  de dinheiro,  para custearem estas obras missionárias.  
Pois estes gastos incluem, remunerações de linguistas, os quais realizam as traduções bíblicas, para as línguas nativas dos índios, e missionários, que terão suas despesas pagas, para serem enviados para tribos indígenas, e congressos, aonde são realizadas palestras, para falarem, dos resultados, e das novas estratégias, a fim de alcançar mais almas  escravizadas entre os índios.
É o capitalismo, mais uma vez sendo vinculado com a religião, mas desta vez, ele não é empregado para o enriquecimento de alguns líderes, mas por cristãos, que almejam conquistar todos,  para o único salvador deles, Jesus “Cristo”.      


REFERÊNCIAS

Alister, McGrath. Revolução protestante. Brasília: Palavra, 2012. 

Azevedo, Regis de Rogério. Pluralismo Religioso. Caminhos de Salvação. São Leopoldo: Oikos , 2014.  

Castro, F. d. (10 de Agosto de 2016). Estudo descarta chegada de humanos às Américas pelo Estreito de Bering . Acesso em 01 de Maio de 2017, disponível em Estadão : http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,estudo-descarta-chegada-de-humanos-as-americas-pelo-estreito-de-bering,10000068506

Chadwick, Henry; Evans, G.R. Igreja  Cristã . Barcelona: Folio,  2007. 

Companhia de Jesus. (11 de Abril de 2017.). Acesso em 01 de Maio de 2017, disponível em Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Jesus

Durkheim, Émile. As formas elementares de vida religiosa: O sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Paulinas, 1989.

Dantas, José. Estudos de História do Brasil. São Paulo: Moderna, 1971.

Mello, Gonzaga de Luiz. Antropologia Cultural.  Petrópolis: Vozes, 1987.

Milanez, p. F. (13 de Agosto de 2013). Em defesa das almas indígenas. Acesso em 01 de Maio de 2017, disponível em CARTA: https://wwwcartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/em-defesa-das-almas-indigenas-9424.html

 Monte Verde (Chile). (3 de Abril de 2017). Acesso em 01 de Maio de 2017, disponível em Wikipédia : https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Verde_(Chile)

Pinto, T. (s.d.). Chegada de Cabral ao Brasil. Acesso em 01 de Maio de 2017, disponível em Escola
Kids : http://escolakids.uol.com.br/chegada-de-cabral-no-brasil.html

O PRINCÍPIO da Civilização. Barcelona: Folio,  2006.

Vainfas, Ronaldo. A Heresia dos índios. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Vainfas, Ronaldo; Ferreira, Jorge; Faria, Castro de Sheila ; Calainho,  Buono  Daniela. História. São Paulo: Saraiva,  2015.




[1] Benivaldo Nunes Lima é professor de Teologia no Instituto Capacita, e leciona também no ITEBE e na FE. Formado em Teologia pela Faculdade Evangélica de Brasília, Pós-Graduado pela Faculdade Evangélica de Brasília em Hermenêutica, e Mestrando na PUC de Goiânia, em Ciências da Religião, está também fazendo hebraico no Itebe.
[2] A viagem durou pouco mais de um mês. O primeiro sinal de terra firme visto pelos portugueses foi o Monte Pascoal, no litoral sul da Bahia. Recebeu este nome por ser época da Páscoa e os portugueses serem católicos (Pinto).
[3] Não foram os índios que convidaram os portugueses para explorarem suas terras, os colonizadores traziam em suas embarcações os religiosos, para abençoar as novas terras, como Portugal era uma “nação” católica na época da descoberta do Brasil, os religiosos eram os clérigos católicos. A primeira reza em terra brasileira foi em 23 de Abril de 1500, e o primeiro culto protestante foi em 10 de Março de 1557, que se deu com a chegada de calvinistas, enviados  pelo reformador de Genebra João Calvino (1509-1564) , a pedido do Almirante Nicolas Villegagnon,  líder da Colônia francesa na Baía da Guanabara ( Rio de Janeiro). As primeiras chegadas dos católicos e protestantes no Brasil é considerada por estudiosos  de  missões religiosas da invasão.   
[4] Pau Brasil, Cana de Açúcar, e Metais preciosos. Os índios foram usados como mão de obra pelos portugueses, para derrubar as árvores Pau Brasil, para que os colonizadores portugueses, pudessem transportar em suas embarcações,  e levá-las para Portugal. 
[5] Não insistirei no assunto, limitando-me a recordar a introjeção do cristianismo por meio de culpabilizações e estigmas das tradições indígenas, a imposição dos sacramentos (alguns, ao menos), a proibição de usos e costumes ancestrais, a disciplina de horários, ofícios divinos e serviços, a tentativa, enfim, de -vestir os índios — com algodão ou o que fosse —, pois nada repugnava mais a um jesuíta do que o corpo do "gentio": sua nudez, sem dúvida, mas também suas aparentes lubricidades e seu apego ao canibalismo — o pior dos males. Com fina sensibilidade, Baeta Neves afirmou que a missão tencionava, "efetivamente, corrigir o corpo do brasil", condição sine qua non para sua "salvação espiritual. (Vainfas, 1995, p.48)
[6] As base religiosas indígenas são o animismo, politeísmo, o xamanismo, eles adoram várias deidades Tupã ( deus criador), Jaci ( deusa da lua), e Guaraci filho de Tupã ( deus que protege as criaturas durante o dia).  
[7] A Companhia de Jesus (em latim: Societas Iesu, S. J.), cujos membros são conhecidos como jesuítas é uma ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Inácio de Loyola. A Congregação foi reconhecida por bula papal em 1540.[1] É hoje conhecida principalmente por seu trabalho missionário e educacional.[nota 1] [nota 2] . Em 2013, contava com aproximadamente 18 mil integrantes. (Companhia de Jesus, 2017.).

[8] A antropofagia era praticada contra os inimigos, e de guerreiros da tribo, pois se acreditava, que ao comer a carne deste guerreiro, eles absolviam a força e a coragem dele, havia muito boato e mentira sobre esta cultura indígena , espalhada pelos colonizadores, que diziam , que os índios era caçadores de carne humana ( padres), esta mentira foi usada como pretexto para eliminar os índios.

[10] Esta passagem de Marcos 16, 9-20  da grande comissão , não está nos textos originais de Marcos é um acréscimo.
[11] Pecado original é uma ideia criada por Paulo e  endossada pelo padre Agostinho de Hipona século IV e V D.C , aonde se diz, que todos homens estão condenados por causa do pecado de um só homem ( Adão), e por isto devem serem salvos por meio da graça de Cristo. É uma doutrina exclusivamente cristã. 

terça-feira, 11 de abril de 2017


BENIVALDO NUNES LIMA[1]

ANTROPOLOGIA

1 ORIGEM DO HOMEM

Serão abordados alguns aspectos, relacionados com a vida do ser homem. Iniciaremos falando sobre sua origem. A origem do homem é estudada, tanto pela antropologia científica, como pela antropologia religiosa. A antropologia científica é aquela que estuda o homem do ponto vista da biologia científica, ou seja, o homem é analisado a partir de métodos empíricos (paleontologia, ciência anatômica), e da história. A antropologia religiosa, procura dissecar o homem , com uma visão religiosa ou teológica. Ela se atém, tanto na natureza física, como na natureza espiritual do homem.

1.2  A ORIGEM DO HOMEM SEGUNDO A ANTROPOLOGIA RELIGIOSA

Segundo a antropologia religiosa, o homem é uma criação de Deus, na visão judaico-cristã, Deus fez o homem Adão ou Adam (אָרָם) do pó da terra. Adão foi criado no sexto dia da criação do pó/solo da terra[2], (אְרָמָה adamah) conforme disse Gênesis 2,7. Então Iahweh Deus modelou o homem com argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente. A palavra Adão, significa avermelhado, pois o mesmo veio de Adamah, terra em hebraico. Adão, e Eva, que é à mãe de todos viventes (Gn 3:20),  são considerados, os ancestrais da humanidade,  segundo a teologia “judaico-cristã”. A confissão de fé de Westminster, que pertence a uma igreja cristã (IPB) deixa claro, de que Adão e Eva, os nossos “primeiros pais”, foram feitos por Deus: 
Para dominar a terra e as criaturas, Deus criou macho e fêmea a sua imagem (imago dei) e semelhança com discernimento entre o bem e o mal, sem pecado mas com liberdade de vontade, que era mutável mesmo Deus tendo colocado no coração do homem a Lei. Para Adão e Eva Deus criou o jardim do Éden, um paraíso com a árvore que era a única proibição de Deus para o casal, para que do fruto dele não comessem, pois sobreviria a eles a morte, como castigo  (Pinto, 2016).

Para Joel (Ferreira, 2016), as pessoas foram treinadas, a ler este texto de Gênesis ao pé da letra, pensando, que tudo foi criado do jeito que está escrito. Ele diz atenção! A bíblia foi escrita por homens. 


1.3  A ORIGEM DO HOMEM, PELA ANTROPOLOGIA CIENTÍFICA

Para antropologia científica, o homem veio através de um processo evolutivo, e não da mão de um criador. A teoria da evolução é aquela teoria, usada na ciência humana, para explicar a origem do homem, conforme Emerson, a teoria da evolução, se baseia no seguinte fato:

A teoria da evolução não diz que “organismos de uma espécie de repente passam a produzir organismos de outra espécie:  Cães não produzem gatos e organismos individuais não mudam de espécie. Um macaco não se torna um ser humano, há um mal-entendido comum sobre como a evolução nos liga aos macacos que é revelado pela clássica pergunta que a maioria faz “Se os humanos evoluíram dos macacos, por que ainda existem macacos?” Em primeiro lugar os humanos não evoluíram dos macacos que vemos hoje. Humanos e macacos modernos compartilham um ancestral comum, semelhante a um macaco, mas diferente de ambos. Em segundo lugar, quando uma forma de vida evolui de outra isso não quer dizer que a forma de vida original tem que deixar de existir. Considere por exemplo à espécie A tão bem adaptada ao seu meio ambiente que muda muito pouco de uma geração para outra, então, parte dessa população se espalha para um novo meio ambiente em que se mostra pessimamente adaptada. Diferentes pressões de sobrevivência agora levam as gerações dessa população a mudarem dramaticamente enquanto as mudanças na primeira população são quase imperceptíveis. Após muitas gerações a população  ainda existe mais ou menos na sua forma original enquanto que a população 2 está agora muito diferente devido a uma adaptação em um ambiente mais hostil. A população 1 não precisa ser extinta, nem mudar da mesma maneira. Por exemplo, os brasileiros descendem dos portugueses, mas nem por isso os portugueses deixaram de existir ou se transformaram em brasileiros. (Borges, 2015) .


Como foi constado pela Antropologia científica, o homem não veio diretamente do  chimpanzé[3], mas tanto o chimpanzé e o homem, tiveram o ancestral comum. E foi demonstrado que tanto Chimpanzé e o Bonobo , têm um genoma, quase igual do homem:

Bonobos e humanos compartilham 98,7% do mesmo mapa genético, o mesmo percentual compartilhado pelos humanos com os chimpanzés, de acordo com o estudo. Os dois macacos têm uma relação muito mais estreita entre si - compartilham 99,6% de seus genomas - disse o principal autor do artigo, Kay Prufer, geneticista do Instituto Max Planck, na Alemanha. "Os seres humanos são um pouco como um mosaico dos genomas de bonobos e chimpanzés ( G1, 2012)

  Portanto, o homem não criado de forma instantânea, como ensina a antropológica cristã. É por este motivo, que hoje existem cristãos[4], que adotam à teoria do criacionismo evolucionista. 

2        A FORMAÇÃO DO HOMEM  

A antropologia religiosa ensina que formação do homem, não é apenas física, ou seja, para ela, o ser humano não funciona apenas por meio de suas faculdades físicas, mas também espirituais. De acordo com esta antropologia, o homem é formado por uma matéria tangível, que é o corpo (σομα), e por duas ou uma entidade espiritual[5], chamada de alma (ψυχη), e espírito[6] (πνευμα). Sendo que cada um deles, tem uma função distinta[7].
O escritor Wayne Grudem, esclarece esta crença generalizada. “Além do corpo. A maioria das pessoas os cristãos e não cristãos sente que tem uma parte imaterial que sobreviverá após a morte do corpo, e que também, temos um espírito, que se relaciona com Deus” (Grudem, 1999). Sendo, que cada um destes elementos tem uma função. O corpo é responsável pelos cincos sentidos.
            1. Visão
2. Audição
3. Olfato
4. Paladar
5. Tato

A alma[8] para os tricótomos é responsável pela parte emocional, e intelectual, sendo ela, a geradora de vida  no corpo humano . O espirito é o centro da adoração a Deus, ou seja, é ele, o meio de contato com o sagrado/Deus, estes textos são usados tantos pelos tricótomos, como dicótomos, para advogarem , suas correntes de pensamento sobre este assunto. ( Gn 1:26; 9.4 ; Gn 2:7; Ec 2:7; Mt 10:28; 1 Ts 5:23, Hb 4:12; ; Sl 103:1; PV 20:27:  Lc 1, 46-47;  1 Co 2:11) . Para os dicótomos, alma e espírito é a mesma coisa, pois ambos se referem, a um paralelismo hebraico na literatura bíblica judaica, usada pelos autores que eram judeus. O paralelismo hebraico usado na literatura poética dos Escritos[9] (Ketuvim) é quando uma mesma coisa é dita com palavras diferentes, a fim de realçar uma verdade. Por exemplo.  De Yahweh é a terra, e o que nela existe, o mundo e seus habitantes. (Salmos 24:1). Aqui a palavra terra e mundo dizem a mesma coisa, ou seja, de que lugar aonde os homens habitam , pode ser chamado de terra ou mundo, e que este lugar, pertence a Deus.

2.1 A CRIAÇÃO E A FUNCIONALIDADE EXISTENCIAL DO HOMEM, NA ANTROPOLOGIA CIENTÍFICA

Para os antropólogos e os biólogos seculares, o homem não precisa de alma, espírito, para ter vida, para pensar, racionar, tem emoções, vontade, escolhas, e serem diferentes de outras criaturas, pois para eles, as células, e o cérebro são responsáveis por estas características humanas. O zoólogo Pirula seu canal do You Tube[10]·, procura desmontar a crença, de que alma, serve para dar vida, e conceder as faculdades emocionais, e intelectuais aos humanos. Na biologia é as células, o cérebro, que se encarregam desta função do corpo humano, vejam:

O cérebro é o centro de controle do movimento, do sono, da fome, da sede e de quase todas as atividades vitais necessárias à sobrevivência. Todas as emoções, como o amor, o ódio, o medo, a ira, a alegria e a tristeza, também são controladas pelo cérebro. Ele está encarregado ainda de receber e interpretar os inúmeros sinais enviados pelo organismo e pelo exterior. Os cientistas já conseguiram elaborar um mapa do cérebro, localizando diversas regiões responsáveis pelo controle da visão, da audição, do olfato, do paladar, dos movimentos automáticos e das emoções, entre outras. No entanto, pouco ainda se sabe sobre os mecanismos que reagem o pensamento e a memória  (Vernon, 2011).

Na antropologia científica o homem não tem uma parte imaterial, pois todas as capacitadas são advindas de seu próprio cérebro que se desenvolveu, para a adaptação de seu novo ambiente de sobrevivência.


Referências


Borges, E. A. (2015). A Bíblia sob Escrutínio . In: E. A. Borges, A Bíblia sob Escrutínio (pp. 60, 61). São Paulo: Scortecci,.
Ferreira, J. A. (2016). Ciência e Fé. In: J. A. Ferreira, Ciência e Fé (p. 76). Goiânia: Espaço Acadêmico.
Grudem, W. (1999). Teologia Sistemática . In: W. Grudem, Teologia Sistemática (p. 388). São Paulo: Vida Nova.
Pinto, A. (10 de outubro de 2016). Da Criação – Capítulo IV da Confissão de Fé de Westminster. Acesso em 09 de Abril de 2017, disponível em Academia de Genebra: https://academiadegenebra.wordpress.com/2016/10/10/da-criacao-capitulo-iv-da-confissao-de-fe-de-westminster/
Vernon, F. (30 de Maio de 2011). Como funciona o cérebro humano? Acesso em 09 de Abril de 2017, disponível em wordpress: https://felipevernon.wordpress.com/2011/05/30/73/





Notas
[1] Benivaldo Nunes Lima é professor de Teologia no Instituto Capacita, e leciona também no ITEBE e na FATEP. Formado em Teologia pela Faculdade Evangélica de Brasília, Pós-Graduado pela Faculdade Evangélica de Brasília em Hermenêutica, e Mestrando na PUC de Goiânia, em Ciências da Religião, e estudando hebraico bíblico no ITEBE.

[2] Existe uma discrepância entre o Verbo Criar Bara (בָּרָא) em Gênesis 1, 27, que é o primeiro relato da criação, em Gênesis 2,7 o segundo relato da criação, a palavra formou, Yatsar é moldar, ou seja, da forma aquilo que já foi criado. 

[4] Alister McGrath um professor da universidade orfox , autor de vários livros cristãos , incluindo livros apologéticos da fé cristã, é um teólogo evolucionista.

 [5] Esta entidade é chamada de etérea

[6] No hebraico palavra para corpo, alma, e espirito é Basar, nephesh, e ruach .  
[7] Existe três correntes com relação a formação do homem, Tricotomia, Dicotomia, e Monismo . Sendo os  pentecostais tricótomos, os tradicionais dicótomos, e os adventistas e Testemunhas  de Jeová monistas.

[8] As três correntes de pensamento que discuti sobre a origem da alma, sendo elas, a corrente  do criacionismo, que diz que Deus cria à alma na hora da concepção no útero da mãe. A corrente traducionismo , que afirma que alma é passada pelos pais. E a corrente do  pré-existencialismo, que defende, que nossas almas já estavam no céu,  antes de nós nascemos. 

[9] Ketuvim é terceira parte da Bíblia Hebraica ( Tanakh), para os cristãos são os livros poéticos.

[10] Alma pra quê? Canal do Pirula. 22’28”. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=Waqzj96EHZo

sábado, 25 de fevereiro de 2017


AS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS, E SUAS CONSEQUÊNCIAS NO MUNDO RELIGIOSO

O século XVI, foi um dos séculos mais importantes da história humana, pois ele trouxe, várias mudanças no contexto sócio-político, científico, educacional, e religioso da Europa.
A reforma protestante que teria começado com padre Martinho Lutero, em 31 de Outubro de 1517, na cidade de Wittenberg (Alemanha), trouxe mudanças políticas, religiosas, e educacionais, para o povo alemão. Umas destas mudanças, foi à liberdade religiosa nas cidades que aderiram à reforma luterana. A dieta de Speyer (Espira) foi uma demonstração, de que à liberdade religiosa fora de fato conquistada, Franklin Ferreira, descreve este fato histórico em seu livro:
Em 1529, os príncipes católicos reuniram-se em torno de uma resolução que impedia a introdução da reforma em seus territórios, mas reclamavam liberdade de culto romano nos territórios conquistados pelo movimento reformador. A recusa solene de príncipes evangélicos ( die  Evangelischen), como se chamavam, de concordar com essa imposição tornou os reformadores conhecidos como “protestantes”. (Ferreira, 2013, p.162).


Outra coisa, que esta reforma religiosa trouxe, foi o desenvolvimento da educação nos países que adotaram à reforma protestante, já que, o princípio do reformador Martinho Lutero ,  o Exame Livre da Bíblia, fez com à bíblia fosse um objeto de leitura de qualquer pessoa. É claro, a pessoa deveria ser alfabetizada, para ler as Escrituras por isto, à alfabetização dos indivíduos dos territórios protestantes foi incentivada, para satisfazer este princípio de Lutero, ou seja, o exame livre da Bíblia.
  A reforma protestante fez com à educação, se tornasse algo público, e acessível para as pessoas de classe baixa, algo totalmente diferente na Idade Média, aonde o direito ao estudo, era algo pertencente ao clero, e aos nobres. A ciência nesta época, foi sobressaindo, com as descobertas científicas, por meio dos cientistas como Nicolau Copérnico, e Galileu Galilei, apesar do controle da igreja católica romana sobre o uso da ciência, pois o uso da ciência, só era permitido pela igreja católica, se tivesse o propósito, de confirmar a teologia católica, de que o Universo, era sinal da obra de um Deus sábio (Deus Cristão). O brasileiro, e físico Marcelo Gleiser, descreve à intenção do católico Copérnico (1473-1543), ao investigar o Cosmos. “O Demiurgo de Platão, o grande arquiteto cósmico, transformou-se no Deus cristão de Copérnico. O Cosmo era uma manifestação da mente divina e portanto, necessariamente perfeito” (Gleiser, 2014, p.54). No protestantismo, a figura que mais acreditava na ciência como um instrumento de confirmação da sabedoria divina, ao criar um universo dão complexo, foi o reformador João Calvino (1509 -1564). O historiador eclesiástico Alister McGrath, escreve, qual era expectativa, que o reformador genebrino depositava na ciência:

Uma tema persistente em todas as obras de Calvino era sabedoria do Deus invisível e intangível pode ser discernida em suas obras e ser estudada por intermédio delas-como a ordem criada. Por isso, Calvino elogiava os cientistas naturais- e até mesmo se aventurava a expressar um pouco de ciúmes deles- pois podiam vivenciar e apreciar a beleza e a sabedoria de Deus por meio do que ele criara e moldara. (McGrath, 2012, p.370).


No entanto as descobertas científicas foram esboroando as expectativas cristãs, de que à ciência era uma ferramenta que servia como corroboração criacionista, de que a criação era obra da mão divina, como afirma a bíblia cristã. Porém grandes cientistas, biólogos como Isaac Newton (1643-1727), e Charles Darwin (1809-1882), tiveram através de suas investigações cientificas, conclusões, de que o Cosmos, e suas criaturas, não está sob controle de uma ação divina (Isaac Newton), e nem teriam sido criados por Deus (Charles Darwin).  Para Isaac Newton (o descobridor da Lei da Gravidade), as leis do universo é o próprio mecanismo de funcionamento do Cosmos, ou seja, não há necessidade, de uma intervenção divina, para o bom andamento do mundo que ele criou.
Isaac Newton, foi considerado um deísta, alguém que acredita na “teoria” do relojeiro, a qual diz, que Deus criou o universo com os seus mecanismos, a fim que ele funcione sozinho. Mas quem abalou o mundo religioso, foi o inglês, e naturalista Charles Darwin, que ao estudar a origem das espécies, tinha a mesma aspiração de outros cientistas que o antecederam, ou seja, corroborar o poder criativo do Deus cristão, por de trás da criação dos seres vivos, o saudoso defensor da causa ateísta, Christopher   Hitchens, menciona qual era o maior receio de Darwin. “Ele considerava que a descoberta da adaptação dos seres vivos ao meio ambiente, fizesse com ele trouxesse um alarde, a ausência de uma causa primeira ou de um grande projeto”. (Hitchens, 2016, p. 406). E foi isto que aconteceu, suas descobertas, levaram a crer que o os seres vivos, incluindo, a espécie humana, não era fruto de uma ação criativa do Deus de Gênesis 1-2, e sim, fruto de uma adaptação do meio ambiente que as espécies foram sofrendo, num processo chamado de seleção natural.
Estas espécies tiveram que sofrer uma mutação das suas características físicas, que carregavam de seus ancestrais, para poder se conformar, com as mudanças que o meio ambiente proporcionava.  Em 1859, o seu livro A origem das Espécies, impactou o mundo religioso, no que tange a crença de que o Deus Cristão, era o criador dos homens e dos animais, conforme relata o livro de Gênesis. Para os evolucionistas a comprovação da teoria da evolução, não é observada apenas em fósseis dos humanos, e nas pistas (pinturas) deixadas pelos seus ancestrais, as quais foram encontradas em cavernas nas em que eles habitavam, mas também, nas grandes e pequenas espécies, como os dinossauros e os microrganismos.  As invenções científicas, também contribuiu para erradicar as crenças religiosas do passado, uma delas, era que o raio ou trovão, era um castigo divino (parece que Martinho Lutero se tornou monge agostiniano, devido ao medo que ele teve, de ter sido, quase fulminado por um raio) sobre os transgressores da lei.  (2016, p.402) “Entre estas últimas estava o para-raios- que iria pôr fim a questão de se deus que intervém para nos punir em súbitos e aleatórios clarões deste tipo. Hoje não há torre de campanário ou minarete que não se gabe de possuí-lo”.  

Conclusão   
Poderia citar outras descobertas cientificas e médicas, por exemplo, de que a epilepsia, não era um decorrente de uma manifestação demoníaca, como era ensinado pela religião cristã antes da chegada da ciência. Mas um pequeno problema no cérebro, que os próprios medicamentos inventados pela ciência medica, consegue controlá-la.
Podia ter mencionado, o que as outras ciências, como as ciências sociais, e humanas, descobriram, para que servia a religião no passado e continua servindo no presente, a religião serviu e ainda serve, como exploração econômica (Karl Max), e conforto psicológico (Sigmund Freud) para os adultos, que ainda carregam resquícios da infantilidade, ou seja, a necessidade de uma proteção paterna (Deus).   

Referências Bibliográficas   

Ferreira, Franklin .  A igreja Cristã na História Das Origens aos Dias Atuais. São Paulo: Vida Nova, 2013.
Gleiser, Marcelo. Criação imperfeita. Cosmo, Vida e o código Oculto da Natureza. Rio de Janeiro: Record, 2014.

 Hitchens, Christopher. deus não é grande. Como a religião envenena tudo. São Paulo:  Globo Livros, 2016.
Ibid., p.40

McGrath. Alister. A revolução protestante. Uma provocante história do protestantismo contada desde o século 16 até os dias de hoje. Brasília: Palavra, 2012.